quinta-feira, 19 de novembro de 2009

“Esta na Hora, esta na hora, esta na hora do Gago ir embora”





Foram mais de três mil os estudantes universitários que marcharam em Lisboa pela defesa do Ensino Superior público e de qualidade, da cidade universitária até ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior fizeram ouvir a sua voz e as suas reivindicações. Os cartazes, faixas e palavras de ordem eram claros: os problemas - o estrangulamento financeiro das instituições, o déficit da acção social, o garrote das propinas e o processo de Bolonha; os responsáveis - Mariano Gago e a política do Governo. Após anos de total imobilismo, a classe estudantil conseguiu ensaiar um primeiro esboço de uma luta que só será vencedora e digna de travar se for longa, concreta e mobilizadora.

Actualmente, são mais de seis mil os alunos que sairão das Universidades endividados, deixando à vista a política de desresponsabilização do governo que avaliza estes empréstimos como forma de acção social. Aqueles que viram reduzidas ou negadas as suas bolsas conhecem bem o sabor amargo da espera e da aflição sentido nestas ultimas semanas, acabando por ser a desistência do ensino a única saída. As Universidades, sufocadas financeiramente, atingiram o máximo da sua capacidade de endividamento, começando já uma política de despedimentos e de encerramento de serviços e unidades (laboratórios, bibliotecas). O processo de Bolonha, possivelmente o maior fiasco da dita modernização do ensino superior, deixou à porta todas as suas promessas de mobilidade e formação, introduzindo uma torrente de problemas organizativos e pedagógicos, desqualificando os ciclos de ensino e atirando os alunos para o mercado de trabalho despreparados e sujeitos à uma, cada vez maior, precariedade laboral.

Todos estes problemas, à partida desencontrados e com especificidades próprias, têm no entanto um pólo comum, um motor que faz andar este projecto de ataque ao ensino publico e de qualidade, e identificá-lo, em claro e bom som, foi o principal sucesso da manifestação de dia 17, retomando uma das palavras mais ouvidas: “está na hora, está na hora, do Gago ir embora.” Mariano Gago, Ministro totalista dos últimos governos do PS na pasta, experiente que é em abafar as manifestações dos estudantes, não tardou a vir anunciar um “plano de confiança” para o Ensino Superior, prometendo aumentar aquilo que diminuiu durante quatro anos e claro, muito e abundante diálogo, não fosse esse o principal prato deste novo governo. A nós caberá dizer não a esta política do chicote e da cenoura, lutando por uma política clara e de defesa intransigente dos nossos direitos; por uma acção social justa, a tempo e horas, por um financiamento equilibrado das instituições e pela defesa democrática dos órgãos de governo das universidades e das suas decisões pedagógicas e orgânicas.

O resto já todos sabemos, alargar para radicalizar. Saber combater a lógica dos clientelismos e eleitoralismo das actuais Associações, reivindicando mais democracia e discussão, aproveitando, onde possível, para constituir listas de oposição. Uma nova manifestação impõe-se, maior e melhor organizada, o Orçamento de Estado poderá ser o mote, mas apenas se formos capaz de inverter a relação de forças nas nossas próprias faculdades e fazer da revolta um movimento de mudança.

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