terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fazem hoje 36 anos Amílcar...

Felizmente que alguém se lembrou que fazem hoje 36 anos que foi morto o grande Amílcar Cabral... Parece que o ideal daqueles que lutaram por uma sociedade justa foi ofuscado e violentamente reprimido. Importa sim lembrar que quem quer lutar por uma sociedade justa tem de recordar e aprender com quem deu a cara, o corpo por ela. :)

Amílcar Cabral – O Sonho Humanista de um lutador inconformado

Amílcar Cabral foi um político, activista marxista e anti-colonizador de Cabo Verde e da Guiné. Nasceu na Guiné-Bissau em 1924, e foi morto dia 20 de Janeiro de 1973 em Conacri. Com 8 anos de idade o jovem Amílcar muda-se da Guiné para Cabo Verde onde estudou até 1943, conseguindo posteriormente uma bolsa de estudo para o Instituto Superior de Agronomia em Lisboa onde se licenciou.
Regressa à Guiné–Bissau em 1952 trabalhando para o Ministério do Ultramar no Recenseamento Agrícola de 1953. Foi também neste ano que a sua inspiração revolucionária se revela após no recenseamento de 1953 ter conhecido intrinsecamente toda a realidade social da Guiné. A sua completa antipatia pelo regime colonial opressor, desrespeitador e que rotulava os negros seres moralmente inferiores faz com que o governador Medo e Alvim o obrigue a emigrar para Angola. Neste país, Amílcar junta-se a Agostinho Neto e ao MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola).
Em 1959 Amílcar Cabral eleva o seu sonho Socialista e junta-se ao seu irmão e a mais três revolucionários formando o Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Um partido que acima de tudo pretendia liberdade, emancipação, respeito e total descolonização.
Em 23 de Janeiro de 1963 tem início a luta armada pela libertação da Guiné e Cabo Verde, luta esta a favor do socialismo, pelo fim do controlo Colonialista, Imperialista a favor do Humanismo, da identidade Africana, de um novo modelo Social. O PAIGC teve neste aspecto uma influência importantíssima, liderando centenas de guerrilheiros que se moviam por “grandes sentimentos de amor” de liberdade e de justiça.
O movimento liderado por Amílcar Cabral e pelo PAIGC começa a ter força e o seu sonho de se tornarem realidade. Isto leva a que o governador Português da Guiné–Bissau determine o inicio da operação Mar Verde com o objectivo de capturar Amílcar e os seus camaradas do PAIGC, a operação foi um fracasso.
Porem, a dimensão humanista de Amílcar fez com que as fronteiras do partido se abrissem a todo o tipo de pessoas. Foi esta ingenuidade natural de um revolucionário socialista e humanista que ditou a sua sentença. No dia 20 de Janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado em Conacri por dois membros do seu próprio partido. Amílcar Cabral, Sonhador Socialista, Revolucionário e Humanista profetiza a seguinte frase: “Se alguém me há-de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios”.
A sua utopia, a sua luta e o seu sonho prevaleceu comandando pelos seus eternos camaradas. No dia 24 de Setembro de 1973 o seu meio–irmão, é nomeado o primeiro presidente do país.

Amílcar Cabral – Ilha

ILHA Tu vives
mãe adormecida
Nua e esquecida
Seca
Fustigada pelos ventos
Ao som de músicas sem música
Das águas que nos prendem…
Ilha: Teus montes e teus vales
Não sentiram passar os tempos
E ficaram no mundo dos teus sonhos
Os sonhos dos teus filhos
A clamar aos ventos que passam
E às aves que voam, livres
As tuas ânsias!
Ilha: Colina sem fim de terra vermelha
Terra dura
Rochas escarpadas tapando os horizontes
Mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

Amílcar Cabral - Praia, Cabo Verde, 1945

Carta a D. José da Cruz Policarpo

Telma de Jesus Laborinho Ferreira
Quero através deste suporte, prolongar-me na escrita a José Policarpo, para mostrar-lhe como me afecta convulsamente as suas naives e ostracizantes declarações sobre a vida em sociedade, diria até, sem bico de mama que aguente tamanha ridicularia discursiva.

Não sou mulher de missa, aliás convém ficar desde já a saber, que sou objectivamente Anti-religião, neste caso profundamente Anti-cristianismo, e porquê?, porque é uma ideologia sem pés, mãos, nem cabeça? Não, mais que isso.
O grande problema está em ter só pés, mãos e cabeça (não nos podemos esquecer o quão essencial foi a esporra do espírito santo para a fecundação da virgem, e que mesmo antes do intenso processo (imagino eu que deve ter sido bastante intenso), logo o anjo gabriel disse à virgem, que não teve qualquer hipótese de recusar o contrato, que sem margem pra dúvidas iria ter um filho, homem portanto, pois, compeendo, provavelmente se fosse filha lá teria deus que recorrer ao infanticídio), falta-lhe toda uma anatomia necessária a uma razoável fluidez social, já para não falar de fluidez sanguínea, que certamente o José Policarpo tanto deve apreciar quando declama o «verbo feito carne».

Devo dizer que foi deveras complicado ler o vosso médium espiritual, que se saiba «a bíblia», apesar de já ter no meu circuito digestivo uma vasta pesquisa e por experiência saber o que defende e quais os interesses que foram e são usados para a manutenção e divulgação do cristianismo, ler aquele conjunto de livros de "escrituras sagradas" provoca-me arrepios da retina ao ânus, arrepios de nervos e de vómitos, páginas e páginas e páginas, enfim, é horrorizante, é deprimente, é-me incompreensível o manter e o poder actuais de tal objecto para fins e afins culturais, sem que a estrutura dos direitos do ser humano, direitos da Mulher e do Homem a desautorize, a descredibilize, lhe ponha fim.

Lê mais!



É um dogma com um seguir histórico notável, notável na relação socialmente permissiva do abuso de poder, repare-se que, para a maior parte das instituições estruturantes da cultura, das quais a igreja católica tem uma presença significativa, a violência entre os corpos é sinónimo de estabilidade social, a violência é estimulada como método necessário para uma selecção de comportamentos capazes de proporcionar um futuro colectivo superior. Ora não sou darwinista, não sou hedonista, não sou leninista, salazarista (et cetera), nem simpatizante do complexo de édipo, repugna-me qualquer que seja a ideologia que se aproxime de um prefácio nazi, o cristianismo tem, sem dúvida, esse prefácio, muito bem ocultado pelas manifestadas alegorias da bondade contra almas malignas.

Fossem todas as falhas da humanidade do tamanho do visível quadradinho branco que delicadamente lhe massaja a goela e poderia defecar à vontade sem sequer pensar na condição de ser-se humano.

Defendo a liberdade criativa e a expressão do que é abstracto, não respeito livros "sagrados" que excluam pessoas dessa mesma liberdade, que excluam pessoas enquanto intelecto, enquanto seres capazes de ser capaz, respeito a crença em forças invisivelmente superiores, até porque há toda uma impossibilidade de saber o mistério das coisas quando fora do nosso globo ocular, não respeito o exercício de domínio, a perversidade de permitir o tratar desigual, fazer-nos aceitar a impossibilidade de mudar as nossas acções, porque o que de facto conta é o mundo que há-de vir, a dimensão da eterna felicidade e não o mundo em que as nossas acções têm consequências, respeito qualquer liberdade espiritual, desde que não entre em paranóias bizarras da separação entre o bem e o mal, bizarro ao ponto de se poder ferir e matar com a justificação de que é-se torneira da inspiração directa de um deus, tal qual foram os homens que escreveram, em tempos antigos, o que o próprio José Policarpo preserva sagradamente.

Todo este discurso para dizer-lhe que espero exaustivamente e ansiosamente que tenha tento na língua quando fizer próximas declarações à humanidade, quando falar de pobreza, de violência, de guerra, de sexualidade, de tudo o que não seja heterossexual, da dignidade da mulher, lembre-se que a sua doutrina fomenta e discrimina o que irónica e hipocritamente diz defender, diz ser preocupação.

Enfim, quero acrescentar que canto o broche como canto qualquer relação entre pernas, estou definitivamente farta de mitras cheias de nada, farta de «Anitas presas no bairro alto», as relações entre os corpos devem ser primeiro que tudo de responsabilidade individual, responsabilidade de quem depende de uma vivência colectiva, e não, abarter-se comportamentos pois a imagem de um deus de erecção visceral assim determina. Teria muito mais a acrescentar...

Nota: Esta carta poderia ser dedicada, de igual modo, ao actual papa Bento XVI, ou a qualquer um destes Ex.mos senhores do conhecimento humano.

De Telma de Jesus Laborinho Ferreira, com todo o respeito

por si, enquanto indivíduo, enquanto cidadão, não enquanto

precursor católico.

Epah... Aqui fica o desabafo. 'Tá bem que é o Medina Carreira, mas ouçam.

ele há cada coincidência...

o calendário tem destas coisas! há coincidências mesmo maradas em algumas efemérides!!
Barack Obama toma posse como presidente dos USA no mesmo dia do calendário em que (há 36 anos atrás) Amílcar Cabral foi assassinado...
há mesmo coincidências que não lembram a ninguém!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

adeus a João Aguardela (1969-2009)

João Aguardela nunca fez música(s) apenas e simplesmente por fazer. nem se cingia a um único estilo/rótulo musical, pretendendo (aliás) obter um produto final que não fosse facilmente rotulável. antes, era um artista-inventor de fusões musicais. e muitas misturas de estilos musicais realizou ao longo da sua carreira (infelizmente algo curta)!!
nos Sitiados misturou o tradicional folclore português com pop-rock. no seu projecto a solo, Megafone, fez a fusão do nosso folclore com (imagine-se!) música techno e alguns outros sons da electrónica. na Linha da Frente teve a audácia de musicar algumas/ns poetas portugues@s numa alargada mistura de sons/estilos musicais, do rock até ao dub. e n' A Naifa revolucionou por completo o nosso (tradicionalmente bafiento) fado, dando-lhe novas (e modernas) roupagens musicais, mais uma outra vez realizando a fusão de música tradicional portuguesa com sons de electrónica.
agora que João Aguardela nos deixa, fica-nos "apenas" o seu imenso legado artístico, muitas e muitas músicas (necessariamente) para serem ouvidas... mesmo muito, muito ouvidas!!

A força da Mudança?!?!?!?!?!?!?!?!

Sócrates e seus camaradas socialistas apresentaram a moção ao congresso do PS. Intitulava-se: «PS: A forma da Mudança»? Realmente muitas coisas mudaram senhores socráticos. Foi sistematicamente destruído o sistema nacional de saúde, “pelo bem das populações”… Foi destruída a motivação e o bom funcionamento das escolas, em nome de uma teimosia… O país está mais desigual… A taxa de desemprego está mais alta… O PIB está mais baixo… Os ordenados e as pensões da maioria continuam a não acompanhar a inflação… A precarização do emprego generalizou-se… Fez-se uma revisão do código de trabalho contra os trabalhadores… A pobreza real e escondida não parou de aumentar… O problema da dívida externa agravou-se… A discriminação a todos os níveis (homofobia, xenofobia, racismo, machismo) continua sem respostas… As empresas continuam a fechar e a deslocalizar-se…
Resumidamente, o país está mais injusto, desigual, pobre e oprimido.
Sem dúvida que é a “força da Mudança”…
Mas pelos vistos a “ala esquerda” do PS está descontente com o rumo do partido.
Mas Sócrates já pensou em tudo: inclui na moção ao congresso um referendo à regionalização é à legalização do casamento homossexual…
Só impõe e só se pode impor uma pergunta: são estas promessas razões suficientes para a ala esquerda do PS esquecer aquilo que foram 4 anos de destruição dos serviços públicos, do emprego e de agravamento da pobreza, das desigualdades e das condições de vida?
Se assim for, o esforço das convergências de esquerda não fez qualquer sentido…

olha só com quem o Sócras vai "discutir" em mesa redonda: mister Steps Rabbit, himself!!!

só mesmo uma revista internacional de renomada integridade [deve ler-se influência] consegue juntar governantes tugas e grandes senhores empresários a reflectir(?) sobre as perspectivas de futuro para Portugal sair da crise... será hoje à tarde e amanhã de manhã, em Lisboa.
se já era bastante curioso que este ano o Grupo de Bilderberg tenha convidado António Costa e Rui Rio ["apenas" os números 2 dos PS sem D e com D e também presidentes das duas maiores Câmaras do país], não será de somenos relevância que a «Economist» tenha convidado Passos Coelho [chefe da oposição interna no PSD e putativo futuro líder do partido] para esta ronda de palestras e conversas (que conta com a presença de José Sócrates) e não tenha sido convidado ninguém da linhagem de Ferreira Leite (ou ela própria)... é que esta gente não parece enganar-se muitas vezes nas pessoas que convida para as suas sessões de conversas e discussões amenas: acabam sempre em lugares de topo da nossa (des)governação, primeiro-ministros deste rectângulozinho!! qual a causa e qual o efeito? é como a estória do ovo e da galinha, cada pessoa tem a sua tese; mas com a sua pontaria (mais que) certeira, eu cá gostava muito que el@s me preenchessem um boletim do EuroMilhões... taluda (quase) certa!

todo o apoio à greve nacional d@s professor@s: exigir outras políticas por um Ensino de qualidade e pela Escola Pública!!!

hoje é dia de greve nacional d@s professor@s [se não estou em erro é a sua segunda greve nacional pela suspensão do actual modelo de avaliação]. desta greve espera-se que tenha (tal como a anterior) uma mobilização absolutamente avassaladora... eu já não consigo imaginar o que mais poderá fazer este tremendo colectivo de movimentos de contestação d@s professor@s em tantas e tantas escolas neste país, para que o Governo mude de política(s)...

a Milu ainda não caiu somente porque Sócrates faz tudo por tudo para manter imaculada a sua imagem de governante resoluto que sabe qual o rumo a (man)ter para o país e que de facto executa reformas políticas e administrativas [e a imagética de homem-do-leme em quem se pode confiar deve ser "a" aposta do (eleitoralista) PS até às Legislativas e em pleno aprofundar da crise económica e social que nos assola(rá)].

tão diferentes que eles (não) são!!!

... mas é que são mesmo, mesmo tão iguaizinhos!!! e apontam o dedo uns aos outros, como se se desculpassem das suas artimanhas pelos outros também as terem realizado antes: IEFP também usou textos de [Bagão Félix] ministro de Durão Barroso em concursos [públicos de emprego] vs Instituto do Emprego exige leitura de discurso de José Sócrates [em provas de selecção].

não se pode confiar em ninguém...

O Partido Nacional Renovador e outros movimentos ou grupos da extrema-direita portuguesa têm vários membros na prisão por crimes de ódio, de raça, assassínios, propaganda, armas ilegais, etc etc.
Mas aparecem sempre a pedir que tenhamos misericórdia deles, que os tiremos da cadeia que não é sítio para alguém de raça superior.
Dando uma vista de olhos na estrutura do Partido consegue perceber-se que afinal os meninos só querem ser eles a fazer justiça. Não é necessário cansar o Sr. Juiz, eles tratam disso.
Por isso é que têm um Regulamento de Disciplina composto por 13 artigos e de uma complexidade que nunca imaginei num partidozito tão pequeno...
Repare-se que eles não são assim tantos. Mas pelos vistos desconfiam muito uns dos outros. O Regulamento é praticamente um Acórdão do Tribunal cheio de palavras da própria gíria do direito.

É bom ver que nem quem lá está confia nos camaradas.

Isto tá bom!

Então vamo lá ver o que diz, por exemplo, a wikipedia...

Henrique Manuel Fusco Granadeiro (n. Borba, 2 de Dezembro de 1943), administrador de empresas português. Esteve quase para ser padre mas deixou-se disso. Andou em governos e especializou-se em fazer dinheiro.

Maria Leonor Couceiro Pizarro Beleza de Mendonça Tavares (Porto, 23 de Novembro de 1943) é uma jurista e política portuguesa. Andou sempre em governos. Mas agora está bem a gerir uma das fortunas Champalimaud.

Paulo Jorge de Assunção Rodrigues Teixeira Pinto (Luanda, 10 de Outubro de 1960) é um jurista, consultor financeiro e escritor português. Também andou sempre por governos. Agora lembrou-se de fazer uns poemas e então domina o mundo editorial só para ter a certeza de publicar o seu livro. Luxo? Não, pragmatismo.

Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete (Setúbal, 7 de Abril de 1940) é advogado e político português. Faz e fez vida da política. Isso basta-me...

Fernando Nobre e Fernando Lopes da Silva escuso-me de referir. Não por serem ambos Fernando, mas porque não percebo muito bem o que fazem aqui no meio de tal lista de ilustres.

Já falei aqui do Conselho Geral (CG) da Universidade de Coimbra, agora o de Lisboa. Parece-me que as poucas crispações que foram aparecendo entre reitores e governo na exigência de maior financiamento estão para acabar.
Todos estes génios eleitos para o CG têm certamente uns trocos para emprestar à Universidade. Ou para investir nela. Sim, claro, a Universidade precisa é de investimento. De preferência de gajos (desculpa lá Leonor) capazes de fazer dinheiro. É uma nova esperança para o sistema de compra de canudos.
É o... Empreendedorismo.

today: World Wide [George W.] Bush ByeBye Party!!!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Também me vejo grego!

Os precários inflexíveis andam aí. Aliás, andam aqui... Andamos todos.
Vamos falar da vida, da vida lixada que vamos levando...

Dizem os precários que
A nossa vida não é o que nos anunciaram: os empregos escasseiam e não duram, as qualificações escolares não garantem o acesso a um mercado de trabalho cada vez mais selvagem, os serviços são cada vez menos públicos, o futuro é incerto e o presente cheio de dúvidas.

Esta é a primeira geração condenada a viver pior do que os seus pais, desenquadrada de estruturas representativas dos seus interesses difusos e incertos, cada vez mais desconfiada das burocracias partidárias e nomenclaturas administrativas.
Eu estarei lá dia 22. Temos de dar a volta a isto. Temos de recuperar a vida querida.

Quando os humanos se tornam em animais...

Desculpem o desabafo...


O Egipto decidiu avançar e o acordo de trégua foi apresentado, segundo consta, Israel prepara-se para assinar um novo acordo de trégua mas, e porque existe sempre um “mas” as tropas israelitas irão manter-se no território.
Estranho como um acordo “pacífico” permita que as forças militares permaneçam no território que praticamente destruíram. Mas fora estas puras e cruas hipocrisias políticas intituladas de “paz armada” (que apenas servem para alimentar o problema, façamos uma análise destes últimos dias): temos contabilizado cerca de 1.100 mortos, uma média de 65 por dia, mas além disso temos mais de 3.000 feridos…
Mas note-se que Israel nunca quis destruir o Hamas mas sim todo o povo… Israel fez questão de bombardear um armazém das Nações Unidas. Armazém esse que continha material médico. Mas que porra é esta afinal? O Hamas está escondido nos armazéns da ONU?
O que é que fizeram os governos ocidentais sobre isto? NADA!
Israel matou, feriu e destruiu um armazém de cuidados médicos, isto é desumano! Segundo os Médicos Sem Fronteiras mais de metade dos feridos vão morrer. É triste.

Israel declarou também que Gaza não vive uma real catástrofe humanitária. Será possível?
A União Europeia diz que a ofensiva se trata de uma “acção defensiva”. Será possível?
Em Gaza, famílias viram filhos assassinados. Em Gaza, famílias ficaram sem luz e sem água. Em Gaza há falta de comida, há fome pura e crua. Em Gaza foram mortos humanistas que colaboravam em acções humanitárias. Em Gaza acabaram-se os medicamentos. Em Gaza sente-se o medo, sente-se o crime, sente-se a Guerra.
Gaza, um alvo do terrorismo, do imperialismo, da barbárie imperialista.
Gaza: quantos sem casa? Sem família? Sem amigos? Sem comida? Sem água? Sem luz? Sem educação? Sem cuidados de saúde?

O meu enorme voto de vergonha por existirem governos como o de Israel.
O meu enorme voto de vergonha por haverem cúmplices de genocídios como a UE e os EUA.
O meu enorme voto de vergonha por pertencer ao mesmo Mundo que vocês.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Shalom?

Continua e continua o massacre. Digo massacre porque invasão já é há muito.
Israel acredita que a guerra lançada a 27 de Dezembro na Faixa de Gaza contra o Hamas está perto do fim, declarou hoje o porta-voz do primeiro-ministro Ehud Olmert. Esta noite, a aviação israelita lançou 40 raides aéreos sobre aquele território, onde já morreram mais de 1100 palestinianos.
Quanto tem de sofrer um povo? É uma pergunta já muito repetida mas perfeitamente pertinente.
Este blog é muito jovem e nasceu marcado pela guerra lá fora. Só na Faixa de Gaza, por cada dia que passou desde que nos estreámos, morreram 65 pessoas.
65 pessoas assassinadas enquanto aqui, do cadeirão, no quente do quarto, nós vamos falando disso. Vamos falando... Mas as bombas continuam.

Hei-de falar do Público...

... mas não é hoje. Mais tarde dedicarei uma página exclusiva para o jornal.
Hoje revelo apenas que sou agarrado ao Público e que quando, como hoje, não o leio, chego à página e... E um gajo passa-se.
A única coisa boa é uma página de software livre para pesquisar despesas por ajuste directo nas autarquias. É delicioso encontrar o nome das empresas que a gente já desconfia que subsistem da Câmara ali escarrapachadas. Agora é só fazer algumas contas para imaginar o que acontece com a tal história dos 5 milhões.

Mas depois leio que o Ministro do Interior palestiniano foi morto em Gaza.
Mais!! A ONU e redacções internacionais foram também bombardeadas:
O exército israelita lançou hoje um pesado bombardeamento sobre Gaza, atingindo edifícios que albergavam a agência das Nações Unidas de ajuda aos refugiados palestinianos, a UNRWA, e vários media internacionais, incluindo as redacções da agência noticiosa Reuters, das televisões Fox e Sky, bem como das cadeias Al-Arabiya e MBC.
Estou baralhado.
Então mas agora dispara-se mesmo mesmo para todo o lado? Até para quem pode dar as notícias de que se dispara para todo o lado?
Mas claro que Ehud explicou que os terroristas estavam lá dentro.

Agora é que estes terroristas palestinianos lhes vão dar... Ai vão vão...

Hamas oferece trégua de um ano se Israel se retirar dentro de uma semana
15.01.2009 - 18h59 Reuters

Estou ainda mais baralhado.

No outro lado do mundo, Chávez quer mais tempo no poder e imprime uma alteração que permitirá que o Presidente se possa candidatar a um terceiro mandato de seis anos nas eleições presidenciais de 2012.

Tudo está bem quando acaba bem... O mais importante, cá para mim, na capa do Público online é que Kaká custa, pelo menos, 111 milhões de euros.
Agora ninguém consegue estragar a minha noite com notícias de mortos e feridos e sei lá... Agora posso sonhar com Kaká.
E isso já ninguém me tira!

Upa upa, né?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Stop G8!

O grupo dos 7 e a Rússia, mais conhecido como G8, é um grupo internacional que reúne os sete países “mais industrializados e desenvolvidos economicamente” do mundo, mais a Rússia. Todos os países se dizem nações democráticas: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá (antigo G7), mais a Rússia - esta última não participando de todas as reuniões do grupo. Este grupo de países tem assumido o direito de decidir sobre matérias que dizem respeito a toda a comunidade internacional.

O G8 é muito criticado por um grande número de movimentos sociais, normalmente integrados no movimento alter globalização, que acusam o G8 de decidir uma grande parte das políticas globais, social e ecologicamente destrutivas, sem qualquer legitimidade nem transparência. Por isso existe a contra-cimeira G8. Ao mesmo tempo que existe uma cimeira alternativa, onde acontecem vários protestos e em que muitos temas são debatidos, existem grupos que se organizam para bloquear as infra-estruturas a ser utilizadas pela cimeira do G8 e assim fazer com que esta não aconteça.

Este ano é em Itália, de dia 5 a 8 de Julho.

Vamos? Sim!

P.S: Né volta por favor

Men vs Leite vs O Mundo

And so this is Christmas... And what have you done..!
PUBLICO.PT: "Actual direcção do PSD 'deve dar passo atrás e permitir eleições', defende Menezes".
Parece-me bem que o PSD vá montando o presépio e constantemente deite fora a árvore.
Eu gosto deles assim. Como gajo que gosta da disputa político-partidária, se for só partidária também não faz mal... E se fosse num ringue? Daqueles com lama? Não será muito excitante ver Menezes, Ferreira Leite, Passos Coelho, enlameados, mas dá para beber umas bjecas enquanto isso acontece.

Fica o desafio: decidam o futuro do PSD na lama!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

RATM !

Testemunho de Gaza...

Feridos
90 minutos - eis o tempo de que dispusemos no interior da faixa de Gaza, em Raffa e Arafat, a cidade ao lado, quando já desesperávamos quanto à possibilidade de entrarmos.
Com efeito, na noite anterior, recebemos a informação de que o ministério da defesa de Israel recusara à UNRWA a garantia de segurança para as viaturas que nos iriam apanhar na fronteira e sem as quais não nos poderíamos mover.
Finalmente, as resistências foram vencidas. Pelas duas e um quarto, já do lado palestiniano da fronteira, chegaram os jipes. Na primeira hora de trégua assistimos à chegada de cinco ambulâncias do crescente vermelho com feridos em estado grave e que foram transferidos para as suas congéneres egípcias. Alguns dos feridos mais graves são transferidos para hospitais no Egipto para serem operados. Com anestesia, algo a que os que ficam deixaram de ter direito.

Guerra
Vários jornalistas perguntaram-me se vi muitas paisagens de destruição. Vi, mas não foram elas que me impressionaram. Estive em Gaza uma mão cheia de vezes e conheço-as. As mais recentes não são diferentes. A destruição por bombardeamento ou canhoneira carece de imaginação. Retive dois quarteirões arrasados, um no primeiro dia de guerra aérea, outro com três dias - porque ficavam a metros do centro de distribuição de alimentos da UNRWA em Arafat.
Principalmente, não me esquecerei que 4 bombas de grande porte caíram durante o período de tréguas. Os silvos de aviação e o impacto dessas explosões, esses sentimo-los bem. Posso garantir: Israel não respeita tréguas.

"Vida normal"
Durante as tréguas o povo sai para a rua. Não há praticamente lojas abertas mas as pessoas saem para respirar, passear e recolher as informações do dia. Se cai uma bomba a algumas centenas de metros, olham para a coluna de fumo, e a vida continua. Dito assim, parece terrível e é-o. Porque terrível é o modo como este povo interiorizou a vida com bombas.
Ouvimos outra a cair quando estávamos no segundo ponto onde parámos - o centro de acolhimento para refugiados de Arafat - e a reacção foi a mesma. Este padrão só se alterou quando, regressados à fronteira, uns minutos antes do fim da trégua, caças israelitas lançaram das alturas os foguetes que iluminam a zona que vai ser objecto de bombardeamento. Depois, um silvo, que me pareceu mais próximo do que os anteriores. Acto contínuo, os enfermeiros das ambulâncias afastam-se das viaturas e eu, em reflexo condicionado, acompanho-os. Segundos depois, a explosão, a não mais de 200 ou 300 metros, mesmo ao lado do muro do chamado "corredor de filadelfia". Foi perto, mesmo perto, e os de lá pressentiram-no. Como se antecipassem o fogo do céu.

Desvio por um filme
Não sei se viram a "Valsa com Baschir", um filme animado israelita actualmente em exibição nas salas de Lisboa e do Porto. É espantoso, não percam. O seu realizador resolveu abrir as gavetas da memória de um massacre, o dos campos de palestinianos em Sabra e Chatila, em 1982. O filme é essa investigação no mundo dos interditos que as guerras guardam em quem as vive. O mais notável nessa pesquisa é que todos os protagonistas são - e eram - pessoas comuns, com as preocupações e sonhos próprios das pessoas comuns. Aquele exército de ocupação teria os seus fanáticos, mas eles eram a excepção. Naquele filme, o realizador pensava em férias, o amigo era pacifista e só matava cães, o outro gostava de artes marciais, mas enlouquece algures na marginal de Beirute, dançando sobre balas como se pertencesse a outro filme, o Apocalipse Now. E por aí adiante. O pior da guerra é que habitua. Eu gostava, sinceramente gostava, que as crianças que vi no centro de acolhimento de Arafat não tivessem que crescer em guerra.

O centro de refugiados
O centro de acolhimento de refugiados da UNRWA em Arafat é um dos 26 que administram no território. Este acolhe 1215 crianças e mulheres. Crianças e mulheres que ficaram sem casa ou sem casa e sem família. Os rostos delas e as suas palavras são severas e dignas. O das crianças e dos jovens era entusiasmado. Não entendo o árabe, mas há momentos em que o som das palavras e os movimentos dos corpos dispensam tradução. Estava tudo naquele protesto, naquela dignidade, naquelas mão elevadas para o céu e naquela felicidade momentânea. A chegada dos de fora, os primeiros a entrarem, foi um bálsamo. Afinal, não estavam sós no mundo. Lá fora, muitos se batem contra este delírio. Não lhes levámos comida, mas outro tipo de alimento. Só por isso valeu a pena. Valeu para eles e valeu para a coragem dos homens da UNRWA que, contra todas as pressões, quiseram mesmo que entrássemos para aumentar a pressão sobre os que decidem do fim deste conflito sem solução militar.
Foi nesse mesmo centro, uma escola preparatória das Nações Unidas transformada em refúgio que pudemos ouvir o responsável máximo da UNRWA na faixa de Gaza explicar o óbvio - que se houvesse uma só munição ou arma nestas escolas, ninguém nelas procuraria acolhimento. Isto a propósito do bombardeamento de outra mais a Norte, há uns dias. Foi também aí que John Gilgs nos recordou outra evidência - que cada dia que passa sem um acordo de cessar-fogo e a reabertura das fronteiras tem um preço insuportável em vidas humanas. Esta é a mensagem desta visita - a primeira a romper um bloqueio criminoso. Outras considerações, de ordem política, deixo-as para mais tarde. Agora vou rever as imagens que filmei. É noite de lua cheia, faz um frio de rachar lá fora e eu sei que aqueles corpos se encaixam uns nos outros enquanto as bombas caem."

Miguel Portas, «Relato de uma visita à terra da guerra» in Sem Muros